segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

MINHA CASA MINHA DILMA

Jorge Trindade
      O Programa Minha Casa Minha Vida completou quatro milhões de unidades habitacionais entregues. Mais do que um número astronômico, este programa tem outra representação na vida das pessoas. Hoje, se marido e mulher ganham um salário mínimo cada, vão até a Caixa e encaminham um financiamento para construir a própria casa. Vão pagar uma prestação mais baixa do que o aluguel que pagaram a vida inteira e terão uma moradia mais digna do que as subabitações que vemos por aí.
      Lembro do tempo em que só havia financiamento habitacional para quem ganhava acima de dez salários. Isto fazia aumentar a distância entre as classes sociais, tornando os ricos mais ricos e os pobres mais pobres.
      O MCMV vem com outra proposta agregada que é o Programa Minha Casa Melhor, em que os financiados da casa própria podem obter financiamento de cinco mil reais para comprar móveis e utilidades domésticas, com cinco anos para pagar e juros infinitamente menores do que os das lojas.
      Quem pensa que esta política habitacional do Governo Federal beneficia somente os pobres, enganou-se. Conheço um empresário da construção civil que já fez mais de dez mil casas. Façam as contas. Assim, quem teve competência para se estabelecer está sendo beneficiado. Mas não só as construtoras, o programa aqueceu a economia no setor industrial de material de construção, desde a pequena olaria até a multinacional do cimento, madeireiras, ferragens, serrarias, setor de transportes e outros. O MCMV acabou com o desemprego na construção civil. Hoje não há pedreiros e auxiliares desempregados. Pedreiros estão cobrando salário de médico. Bom para eles. É a Lei da Oferta e da Procura. Também, investidores que direcionavam seus negócios para os alugueis, estão procurando uma atividade produtiva, porque cada vez mais diminui a demanda por aluguel residencial.
      Todos estes setores estão empregando e gerando impostos que se transformam em recursos para mais financiamentos e assim, estamos nos encaminhado para atender o déficit habitacional no Brasil averiguado no início do Governo Lula que era de dez milhões de moradias.
      Optei por abordar este assunto, porque há algum tempo ouvi um empresário entusiasmado com o momento econômico chamar o Programa de “Minha Casa Minha Dilma”, e há alguns dias ouvi um financiado fazer uso da mesma expressão para referir-se ao programa, e explicou de forma emocionada o que representa morar na própria casa e sentir que a cada mês ela é mais sua.
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Armazém de Notícias - dezembro de 2013

NÃO SEI SE VOTO DISTRITAL

            O cidadão tem se ressentido de uma maior aproximação com os políticos que elege, e estes não reduzem esta distância porque não tem como identificar quem os elegeu. Entre outros problemas que a atual representação política nos apresenta, este poderia ser resolvido com a adoção do Voto Distrital. Não vou levar em conta aqui, se esta proposta seria melhor para o Brasil, mas se seria melhor para pequenos municípios como Tapes.
         Em primeiro lugar, reservo-me a não defender ainda esta ideia por não saber como seria a divisão distrital. A proposta que se apresenta no momento seria a divisão conforme as microrregiões ou mesorregiões estabelecidas pelo IBGE. Parece o mais lógico. Mas aí aparecem os problemas.
         Temos no Rio Grande do Sul 35 microrregiões e gravitamos em torno de um micronúcleo que é Camaquã. Nós gaúchos temos direito a 33 vagas para Deputado Federal, um pequeno ajuste que se fizesse já daria um representante por distrito. Até aí tudo bem.
         Acontece que a Microrregião Metropolitana tem a metade da população do estado, vai exigir metade das vagas. A capital, Porto Alegre, só teria representação justa se fosse dividida em vários distritos. Isso faria encolher as representações de pequenos distritos do interior que teriam que se agrupar. Considerando que temos 10 milhões de eleitores, e que divididos por 33 vagas dariam 300 mil votos para eleger um Deputado Federal. Nossa microrregião não alcança 100 mil. Nosso distrito, então, teria que ser esticado. Até onde? Para o Norte e integrar a Região Carbonífera? Correríamos o risco de eleger um representante daquela região, sem identificação conosco. Para o Sul ficaria bacana. Um Distrito da Costa Doce. Mas não alcançaria 200 mil votos. E não podemos esticar demais, porque Pelotas já elege seus próprios representantes. Aí ficaríamos submetidos à vontade de um colégio eleitoral maior. Assim o voto distrital não traria vantagens.
     Mas a matemática fica mais complicada quando pensamos nos Deputados Estaduais que são 54. Mas poderia ser esta a base da divisão, já que também há proposta de criação dos distritos por bacia hidrográfica. Outras dúvidas ainda estão na mesa, como a suplência e as eleições municipais.
         Estas alterações não seriam para a próxima eleição, mas é possível que sejamos questionados sobre a reforma política em um plebiscito incorporado à eleição de 2014. Então, esta opinião precisa ser formada através de discussões argumentadas, e não, imposta como está sendo feito. Aqui na região já tem até candidato a Deputado Distrital.
   Por enquanto, as articulações políticas estão defendendo candidaturas suprapartidárias para garantir a eleição de candidatos locais. Num momento em que se pretende que os partidos sejam fortalecidos e que defendam ideias, esta proposta seria um retrocesso no campo político. Além do mais há a dificuldade do consenso. Muitos dirão que defendem a candidatura suprapartidária, mas se o candidato for de seu partido. Na última eleição tínhamos um candidato a Vice-Governador, que foi eleito, que é desta região, e que está trabalhando por ela. Mas não houve o consenso. A preferência partidária falou mais forte.
Jorge Trindade
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Armazém de Notícias - outubro de 2013

PROTESTOS E PROTESTOS

Jorge Trindade

    Pois a corrupção que ocorre em Brasília é um fato que revolta a todos nós e foi o principal motivo dos protestos que ocorreram. Mas não estava tudo bem claro, os protestos eram contra a corrupção, mas não dizia qual. Nós sabemos que era a corrupção de Brasília, porque a corrupção que ocorre em Tapes, esta nós encobrimos, e não protestamos porque sempre temos alguém próximo que pode estar envolvido. Como não conhecemos ninguém em Brasília, vamos protestar somente contra aquela lá, ainda mais que em breve a corrupção será declarada como crime hediondo.

    Então, quando organizamos um protesto devemos estabelecer com clareza contra o que se protesta. Por exemplo, o protesto contra os buracos estava bem definido. Eram os buracos da RS 717, e não os buracos da cidade ou da Pinvest ou das estradas do interior. É que os buracos do Prefeito já fazem parte das nossas vidas e nos acostumamos com eles. Mas os buracos do Daer nós não aceitamos e não nos acostumamos, por isso protestamos.
    Tem outro protesto que é muito corrente nas redes sociais que é pelo pagamento do Piso Salarial aos professores. Mas sabemos que quem tem que pagar o Piso é o Governador. E não queremos saber se o cronograma para pagar o piso até 2014 está sendo obedecido. A Lei do Piso é uma Lei Federal e tem que ser cumprida. Mas só pelo Governador. O Prefeito não precisa pagar o Piso. Se ele não cumpre nem as Leis Municipais, porque iria cumprir uma Lei Federal. Além disso, como vou protestar para que o Prefeito pague o piso, se estou de olho em um contratinho com a Prefeitura, mesmo que seja com um salário subterrâneo.
    Mas o protesto que mais fez sucesso foi contra a Copa do Mundo. São inaceitáveis os gastos públicos com um evento como esse enquanto que a saúde encontra-se no estado que está. Por isso somos contra a Copa do Mundo, mas a favor da Festa do Arroz.
    Então, quando organizamos um protesto devemos estabelecer com clareza contra o que se protesta. Por exemplo, o protesto contra os buracos estava bem definido. Eram os buracos da RS 717, e não os buracos da cidade ou da Pinvest ou das estradas do interior. É que os buracos do Prefeito já fazem parte das nossas vidas e nos acostumamos com eles. Mas os buracos do Daer nós não aceitamos e não nos acostumamos, por isso protestamos.
    Tem outro protesto que é muito corrente nas redes sociais que é pelo pagamento do Piso Salarial aos professores. Mas sabemos que quem tem que pagar o Piso é o Governador. E não queremos saber se o cronograma para pagar o piso até 2014 está sendo obedecido. A Lei do Piso é uma Lei Federal e tem que ser cumprida. Mas só pelo Governador. O Prefeito não precisa pagar o Piso. Se ele não cumpre nem as Leis Municipais, porque iria cumprir uma Lei Federal. Além disso, como vou protestar para que o Prefeito pague o piso, se estou de olho em um contratinho com a Prefeitura, mesmo que seja com um salário subterrâneo.
    Mas o protesto que mais fez sucesso foi contra a Copa do Mundo. São inaceitáveis os gastos públicos com um evento como esse enquanto que a saúde encontra-se no estado que está. Por isso somos contra a Copa do Mundo, mas a favor da Festa do Arroz.
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Armazém de Notícias - julho de 2013

EU SOU TAPES – Paulo Martins


SOU UM PEDACINHO DO PAMPA
FEITO DE ÁGUA E AREIA
ONDE O GAÚCHO ACAMPA
NAS NOITES DE LUA CHEIA
VENHA COMIGO ACAMPAR 
E OUVIR O RIO GRANDE CONTAR
HISTÓRIAS DE BRIGAS FEIAS 

EU SOU A HOSPITALIDADE
VOU DE FOGÕES EM FOGÕES 
VISITANDO A MOCIDADE
CENTENAS DE CORAÇÕES 
EU SOU ALUNO SEM LÁPIS
SOU A CIDADE DE TAPES
EM TEMPO DE TRADIÇÕES

SOU PEDRA DE BOLHADEIRA
SOU FACÃO SOU A GARRUCHA
SOU O CAFÉ DE CHALEIRA 
SOU CONVITE QUE TE PUXA
PARA VER NOSSO TALENTO
NO SEGUNDO ACAMPAMENTO
DA NOSSA ARTE GAÚCHA

EU SOU A SOMBRA NA ÁGUA
SOU CHARQUE DO CARRETEIRO
EU SOU UM GAÚCHO SEM MÁGOAS
SOU CENTRO-SUL-BRASILEIRO
SOU A LAGOA DOS PATOS
EU SOU A SOMBRA NOS MATOS
EM PLENO MÊS DE JANEIRO

    Certamente que nosso poeta estava iluminado por uma luz divina quando juntou as letrinhas para escrever esta obra e quando juntou as notas para compor esta melodia. Mas na sua humildade não esperava pelo nosso agradecimento, mas esta era a nossa obrigação.    Embora tendo levado o nome de Tapes para todo o Rio Grande e para o Brasil, o que recebeu em troca foi a nossa indiferença. O que Paulo Martins fez por Tapes, nunca Tapes fez por ele. Mas ainda está em tempo. Consta em meus conhecimentos que Paulo Martins não é tapense de nascimento, mas certamente o é de coração, então, Vereadores, exijo o título de cidadão tapense para o nosso poeta. Ninguém é mais tapense do que ele.
   Paulo Martins é um poeta, compositor e um artista de grande valor. Há pessoas em Tapes que não gostam dele, mas isso acontece porque não entendem que ele é um artista profissional. Certa vez em uma conversa, ele me falou assim: se tu queres que eu venha cantar no teu bar pra ti ganhares dinheiro, eu quero ganhar junto. Mas se queres fazer uma ação comunitária pra beneficiar socialmente este ou aquele setor ou se queres divulgar a cultura gaúcha, me fala que eu venho e não cobro nada. Mas as administrações municipais gostam que os músicos locais trabalhem de graça e pagam fortunas para outros dançarem a boquinha da garrafa em cima de um caminhão.
   Certa vez fiz referência nas redes sociais ao trabalho de Paulo Martins e recebi como comentário da coordenadora da Casa de Cultura de Tapes que ela pretende valorizar os músicos locais e que conhece e admira o trabalho de Paulo Martins. Considera o poeta “dono de uma incrível sensibilidade e suas composições enaltecem Tapes por onde ele anda. Eu o admiro muito, além do fato de sermos amigos. E nossa amizade estreitou-se justamente pelo nosso gosto pela arte e pelo respeito mútuo”. Mas até agora nada. Faltou autonomia?
    Então, tapenses. Eu não quero que Paulo Martins seja nome de rua. Quero oportunidade de trabalho para ele, que está no auge de sua capacidade intelectual e artística. Mas por incrível que pareça, tem gente em Tapes que nunca ouviu o Paulo Martins cantar. O maior show que assisti em Tapes foi numa Festa do Arroz nos anos 90 em que Paulo Martins, acompanhado seu irmão Chico Martins, outro grande músico, e de seu grupo abrilhantaram aquele evento. De lá pra cá a cultura gaúcha ficou em segundo plano e nada parecido aconteceu em Tapes.
JORGE TRINDADE
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Armazém de Notícias - agosto de 2013

JOGO DOS SETE ERROS

Jorge Trindade    
      O Prefeito de Tapes prometeu que a partir de 10 de abril procuraria a imprensa para fazer a avaliação dos primeiros cem dias de governo. Grudei na Rádio Tapense, comprei os jornais da região, mas não achei nada. Melhor seria que eu fizesse uma avaliação baseado nas declarações oficiais do que foi feito e do que não foi feito. Mas a estou fazendo sob a óptica do cidadão.
     Ninguém escolhe a herança que vai ganhar, ela vem embrulhada. Pois o Prefeito desembrulhou a dele e apavarou-se. Não perdeu tempo e dia 2 de janeiro mesmo emitiu o Decreto nº 1, em que cortou as horas extras que estavam sendo pagas indevidamente aos CCs e FGs. Parabéns, é assim que se cuida da coisa pública. Mas não dá pra jogar a sujeira pra baixo do tapete. Varrer a sujeira significa fazer um levantamento da quantia com que os cofres públicos foram lesados, verificar quem eram os responsáveis e processá-los por formação de quadrilha, além de exigir a devolução das quantias pagas de forma irregular. A não ser que a quadrilha ainda esteja presente...
     No Decreto nº 2, houve um acontecimento surreal. Foi um caso de posse sem fundo. O Vice-Prefeito foi empossado como Coordenador da Área da Saúde do Município. Entendo que inclusive acima da Secretária. Mas o que ocorre é que este cargo não existe. Não está previsto em Lei. Não está escrito em lugar nenhum quais são as suas atribuições, obrigações, carga horária, salário, etc. Foi tudo no peito. Ficou uma posição cômoda para o Coordenador, que dita as regras, e se tudo der certo, é mérito dele, mas se algo der errado, é culpa da Secretária, que é quem assina estas normas.
     Mas não podemos negar que o Prefeito é festeiro. O Acampamento estava perfeito. Pouco público, mas bem organizado. O carnaval estava melhor do que o do ano passado, arquibancada grátis foi o máximo. O atraso na programação é culpa da Liga. A Festa do Arroz foi um show, em todos os aspectos, negócios, turismo, diversão. E houve outros eventos, Garota Verão, Encontro de Motociclistas, tudo com apoio da Prefeitura. E agora, “dizem” que não vai ser mais a APEC quem vai organizar os eventos. Vai ser a ACCITA. Deve ter ganhado a licitação.
    Como diz o meu amigo Rafael, é a política do Pão e Circo. Muito circo e pouco pão. Refiro-me à falta de uma política de empregos. Não podemos ficar presos a ideia de que vamos ter um porto e que isso vai resolver todos os problemas. Até porque o porto está em fase de LP (Licença de Pensamento), pensamos que um dia vamos ter um porto e alguém pensa que um dia vai instalar um porto. Agora, a Licença Prévia, esta ainda não chegou na FEPAM.
    Mas o que eu mais gosto no Prefeito é que ele está sempre presente, em todos os eventos. Anda na rua, faz caminhadas, é gente como a gente. Conhece cada buraco das ruas da cidade. Conhece cada calçada intransitável. Vai verificar os problemas in loco, como a visita que fez à ilha para conhecer pessoalmente a situação de risco com que vivem aqueles tapenses. O que nos deixa a expectativa de que os problemas de moradia serão resolvidos antes da próxima enchente. Bah, falei neste assunto e lembrei-me das quarenta casas. Será que vamos ter que devolver esta verba, também?
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Armazém de Notícias - junho de 2013

ORIGEM DA FAMÍLIA BUENO

 Jorge Luis Bueno da Trindade

  Foi só a partir da Idade Média que passaram a existir sobrenomes, que em geral foram adotados com referência ao lugar (vila/freguesia) onde a família morava (Portugal e Espanha). Mas todos passavam a ter o mesmo sobrenome, mesmo não sendo parentes. Em outros casos adotava-se como sobrenome o nome do proprietário da terra (França), ou certas características das pessoas do povoado. No caso do sobrenome Bueno, as pessoas receberam esta denominação porque em determinado lugar todos tinham bom (bueno) caráter. "Este é dos Bueno", se dizia quando o sujeito tinha bom caráter. Acabou virando sobrenome.
   Este entendimento confirma que os Bueno vieram da Espanha, até pelo uso do brasão.  Mas minha bisavó Teodorica Martins Bueno (Vó Chininha), com quem convivi em minha infância, contava que veio das Ilhas Canarias. Como as Canarias pertencem à Espanha, eu dizia a ela que ela era espanhola, o que ela não aceitava. Dizia que era Canaria, recusando até com certa revolta em suas feições a origem espanhola e sendo enfática de que ela era Canaria.  As Ilhas Canarias têm este nome porque lá havia muitos cães, e não canários.
   Mas a questão não é tão simples. O árabes (muçulmanos) ocuparam a Península ibérica durante 200 anos +- entre 1200 e 1400, transformando os nativos em classe social subalterna. Lá por 1492 os espanhóis recuperam o controle da Península expulsando os árabes. Este fato ocorreu na mesma época de ocupação e colonização das Ilhas Canarias, que ficam no Atlântico próximo à costa de Marrocos, que é um país da África com etnia e cultura árabe. Então, é bem forte a possibilidade de que nós que temos sobrenome Bueno tenhamos origem árabe e não espanhola. Contribui para reforçar esta possibilidade, a negativa de minha bisavó à origem espanhola.
   Mas uma terceira possibilidade abriu-se com estudos acadêmicos que fiz sobre a diáspora judia (dispersão dos judeus pelo mundo). Quando a "Santa" Inquisição começou a apertar os judeus, em Portugal, alguns converteram-se ao cristianismo adotando sobrenomes que o identificavam como cristãos novos, em geral nomes de árvores como Oliveira, Pereira, Nogueira, Moreira, Pinheiro. Os que não aceitaram, ou foram para a fogueira ou fugiram e ocuparam ilhas próximas do Atlântico e do Mediterrâneo, como Madeira e Açores. É possível que esta fuga tenha ocorrido também com judeus espanhóis, o que também coincide com a ocupação das Ilhas Canarias. Neste caso seria forte a possibilidade de nossa origem ser judia. Depõe contra esta possibilidade, o registro de que em 1590 já havia registro do sobrenome Bueno no Brasil, no caso Amador Bueno.
   Existe no estado de São Paulo grande contingente de Buenos, mas estes certamente não são parentes. São descendentes de Bartolomeu Bueno da Silva, que já andava por aqui desde 1700. Nossos antepassados chegaram ao Brasil na segunda metade do Século XIX, apeando no Porto de Paranaguá, instalando-se inicialmente no interior do Paraná, mas vindo logo em seguida a formar núcleos em Cachoeira do Sul, Bagé, São Gabriel e Dom Pedrito, além de cidades uruguaias próximas à fronteira.

   Nada disso é definitivo, mas fico com a possibilidade de que o sobrenome Bueno tem origem árabe, porque as conversas que tive com minha bisavó dão maior consistência a esta alternativa.
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Armazém de Notícias - abril de 2013.

domingo, 3 de março de 2013

O PODERO DO EMPREGO E DO DESEMPREGO

O PODER DO EMPREGO E DO DESEMPREGO


Jorge Trindade

    Várias empresas fecharam suas portas em Tapes nos últimos tempos. A sucessora da Fábrica de Calçados Schmidt deixou cerca de duzentos desempregados, que foram absorvidos pelo mercado de trabalho sabe-se lá como. Fechou também o Unisuper, mais 20 desempregados, a Stival outros tantos, a Ehlert Implementos Agrícolas migrou para Sentinela do Sul, fora pequenos empreendimentos. Assim, o leitor poderia supor que a falta de uma política pública de produção de empregos deporia contra a Administração Municipal, mas não. Este fato tornou a Prefeitura o maior empregador local e o administrador público o "Senhor" do emprego e do desemprego.

    Aí é que começam os problemas. Sabemos que em um contexto geral, os empregos na Prefeitura não são esta maravilha toda, mas diante do quadro atual, são, sim, bons empregos, salário certinho no dia combinado, algum status e coisa e tal. Não tendo sido produzidas novas vagas, o mais correto é garantir as que se têm. Mas tem a competição, quem está dentro não quer sair e quem está fora quer entrar. Então a mão poderosa começa a funcionar, currículo pra cima, currículo pra baixo, este é companheiro, este não é. Assim, uma só pessoa manipula os sonhos e as expectativas, e até a sobrevivência de muita gente, exercendo este poder.

    Claro que o serviço público não pode parar, mesmo com a sucessão, e disso o Prefeito não pode se queixar, já que a Câmara de Vereadores aprovou a contratação emergencial pelo período de dez meses de dezoito profissionais para os setores mais carentes. Mas estes serão escolhidos por aquela mão oculta e poderosa. Só que a competência para o exercício da função pública só pode ser medida através do concurso, ação necessária para manter a seriedade da administração pública.
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Armazém de Notícias - Edição 265 - março/2013

sábado, 9 de fevereiro de 2013

ITR - UM BALAIO DE DINHEIRO



Jorge Trindade

     O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural é um Imposto Federal, do qual o município é participante com 50% da receita. Diante da dificuldade do Governo Federal em fiscalizar esta arrecadação, dispôs aos municípios que optaram por fazer convênio para fiscalizar e arrecadar, ficando com 100% da receita. Em Tapes a transferência da União girou entre 2009 e 2011 em torno de 300 mil reais/ano, com previsão para 2012 de 460 mil reais.
     O Imposto é calculado em função da área da propriedade, do grau de utilização (%) e do valor da terra nua (VTN) na região. Atualmente os proprietários tapenses fazem (ou não fazem) a declaração eletronicamente, eles próprios informando a área que possuem, o percentual que utilizam e quanto acham que vale a terra.
     A Prefeitura de Tapes possui convênio com a Receita Federal desde 2008 para fazer a fiscalização e arrecadação deste tributo, mas até agora não fez nada. Se o município mapear as propriedades, verificar o grau de utilização e avaliar as propriedades com valor de mercado, poderá multiplicar o valor arrecadado e ainda ficar com 100% em vez de 50% desta receita. Pelos meus cálculos (empíricos), poderá estar havendo uma evasão de cerca de 1 milhão de reais/ano, um balaio de dinheiro. Conforme informações que obtive há um ano atrás, o Prefeito Tejada estava preparando um servidor para isso. Alguém tem que avisar a este camarada (o servidor) que ele não pode trocar de emprego, ou adoecer ou morrer, porque corremos o risco de perder 1 milhão por ano. Pior ainda, se ele não for efetivo e concursado, aí começaríamos do zero, preparando outro servidor. Mas o ideal seria uma equipe com fiscais e avaliadores, o que já pode ser pensado para o próximo concurso público. Mas mesmo assim, entendo que a Administração Municipal levaria uns quatro anos para fazer o mapeamento completo, então não há tempo a perder. Esta receita precisa fazer parte do orçamento.
     Esta fiscalização poderia identificar também partes de propriedades não averbadas em cartório, que seriam regularizadas perante a Prefeitura, gerando mais ITR, ou consideradas terras devolutas e disponibilizadas para assentamento.
     Assim, nada justificaria o Prefeito chorar pela falta de recursos e pelo orçamento gessado, e continuar com a blindagem dos "companheiros".
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Armazém de Notícias - Edição 264 - Janeiro/2013 - Pág. 06

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

SE DA VINCI FOSSE BRASILEIRO

Jorge Trindade

    O menino Leonardo está repetindo a sétima série pela terceira vez. Também, quem mandou duvidar da professora quando esta falou que Cabral veio parar no Brasil por causa das calmarias. Leozinho, baseado nas observações do anemômetro que inventou para a Feira de Ciências e no estudo das correntes marinhas argumentou que esta história precisaria ser recontada, afinal, o astrolábio já havia sido inventado em 1500. A Tia não aceitou. Leonardo passou em Ciências e rodou em História.
    Foi encaminhado ao SOE antes que se tornasse um aluno-problema. Disse que queria ser engenheiro quando crescesse. Em seguida queria ser matemático, quem sabe astrônomo ou até pintor. "Este menino precisa se resolver sobre o que quer, ou não vai ser nada na vida".
    Estas repreensões tornaram-no bastante circunspecto. Não prestava atenção nas aulas de Português. Achava o Latim mais interessante. Enquanto Tia Gioconda explicava, ele desenhava. Quando pintou uma tela e dedicou à sua professora, esqueceu de colocar algumas crases na dedicatória. Foi duramente criticado porque é preconceituoso pintar uma mulher de preto e além do mais, não é o momento histórico de representar uma mulher de braços cruzados. Já a professora de Artes até que achou interessante o sorriso sutil que Leozinho pintou. Passou em Artes e rodou em Português por causa das crases. Entender as crases era muito para sua cabecinha. Ora bolas! Latim, Inglês, Alemão e Hebraico não utilizam crases e todo mundo entende.
    Leonardo não se abalou com estes percalços e continuou estudando, inventando, criando, inovando, pintando e rodando. Até que um amigo de seu tio, candidato a Deputado Federal, consegui-lhe uma bolsa para que estudasse em Florença. Lá, tornou-se engenheiro, matemático, astrônomo e pintor ao mesmo tempo em que seus colegas concluíam o Fundamental.
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Vamos discutir este assunto?
jorge.trindade.58@facebook.com

Armazém de Notícias - Edição 263 - Dezembro/2012 - Pág. 09

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A ESTRATÉGIA DA BUSCA ATIVA

Jorge Trindade

    A estratégia da busca ativa é uma proposta de parceria do MDS - Ministério do Desenvolvimento Sociual e Combate à Fome - com os municípios. A intenção é encontrar aqueles cidadãos e famílias que estão em situação de vulnerabilidade social, mas que não estão incluídos nos benefícios sociais do SUAS, seja porque moram em localidades distantes da sede do município, seja porque não sabem que estes benefícios estão à sua disposição, ou porque simplesmente não solicitaram.
    No âmbito do município, os órgãos de Assistência Social que já têm uma demanda grande de trabalho, quase sempre restringem-se às situações de denúncia ou de busca espontânea, que é quando o cidadão procura o atendimento. Mas a área rural dos muncípios costuma ser muito extensa e com baixa densidade populacional, o que sobremaneira dificulta esta busca. Mesmo com maior esforço dos agentes da área social, muitas situações podem passar desapercebidas, como moradias no interior de propriedades rurais e moradias não servidas por vias de acesso, que só o morador sabe o caminho. Ali poderá estar escondido um cliente em potencial para os benefícios sociais, como Bolsa-família ou o Benefício de Prestação Continuada - BPC.
    Sabemos que algumas pessoas são contra o Programa Bolsa-família, e é fato que este benefício não resolve a vida de ninguém, mas garante eventualmente uma alimentação, um material escolar, um calçado, e o atendimento das condicionalidades garante que a criança estará na escola e que terá as vacinas feitas na época certa, por exemplo. Todo este processo faz parte da proposta do Governo Federal de erradicar a miséria no Brasil, e o município tem papel decisivo para que o programa se aproxime de suas metas.
    Mas por outra óptica poderá o município participar deste processo. Ainda que estejamos em uma cidade pequena, o bolsa-família revigora nossa economia com cerca de um milhão de reais por ano, que serão diluídos no comércio e nos serviços. Então, a participação municipal na estratégia da busca ativa, sem dúvida, representará uma ação social bastante significativa. Mas também estará contribuindo para o aquecimento da economia interna, pois com os resultados da busca ativa estes valores poderão ser dobrados.____________

Vamos discutir este assunto?

jorge.trindade.58@facebook.com

Armazém de Notícias - Edição 262 - outubro/ novembro 2012 - Pág. 4

domingo, 2 de dezembro de 2012

DOS CANAVIAIS AOS ARROZAIS

Jorge Trindade

     A participação nesta campanha política foi muito enriquecedora quanto à minha formação pessoal. Às vezes não percebemos que vivemos em um mundo e a maioria da população vive em outro. Este choque com a realidade é que provoca o crescimento.
     Certo dia eu estava no Diretório do PT, quando entrou um cidadão e fez um depoimento que me deixou arrasado e revoltado ao mesmo tempo. Disse que havia trabalhado em uma propriedade rural e que ganhava "salário", mas que dele eram descontados aluguel, luz, água e alimentação, e que no fim do mês restavam 100 a 150 pilas e que tinha uma folga por mês durante a safra e neste dia vinha até a cidade para entregar os minguados para a família, que dependia dele. No final da safra fora mandado embora sem receber mais nada. Orientei-o a procurar o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e lá explicasse a situação, pois não domino a legislação trabalhista quanto a trabalho temporário.
     Contou também, que alguns trabalhadores vão com a família, e aí todos trabalham, mas os descontos são os mesmos, inclusive crianças tem que trabalhar para pagar seu sustento. Este foi o motivo da revolta. Arrasado fiquei porque pensei que esta situação só ocorria nos canaviais do Nordeste.
     Posteriormente, quando fomos questionados pelos conselheiros dos Conselhos Municipais da área social, relatei este fato, que estaria ocorrendo trabalho análogo ao escravo na zona rural de Tapes. Não sei se estas entidades fizeram bom uso das informações, até por que não eram muito precisas. Não lembro o nome do produtor nem a região. Mas acho que Secretaria de Assistência Social, Trabalho e Cidadania poderia estabelecer uma parceria com a Delegacia Regional do Trabalho e fazer um mutirão para fiscalizar propriedades rurais durante a safra para verificar se esta situação é comum ou esporádica.
     A Proposta de Emenda Constitucional 57A/1999 (pasmem, é de 99) prevê o confisco da propriedade rural ou urbana onde seja verificada a existência de trabalho escravo. Mas tem encontrado grande dificuldade para tramitar no Congresso. O corporativismo da bancada ruralista faz forte resistência à PEC que foi aprovada na Câmara em 2012 e voltou ao Senado para ali dormir mais um pouco. O trabalho escravo está tipificado no artigo 149 do Código Penal como crime. E tudo isso está acontecendo diante de nossos olhos. Dos canaviais aos arrozais.
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A Notícia - Edição 12 - Novembro/2012 - Pág 2


TRAJETÓRIA DE UM POLÍTICO CORRUPTO

Jorge Trindade


     Vamos considerar que não nascemos políticos, nem nascemos corruptos. Ao nascer já tínhamos direitos e obrigações e à medida que vamos crescendo, cada vez mais exigimos os nossos direitos e dentro do possível deixamos de cumprir as obrigações. É nesse quadro que nascem e crescem os políticos corruptos.
     Antes de serem políticos, todos são cidadãos, se são corretos, então serão políticos corretos. Assim, vou fazer uma reflexão para saber se tenho potencial para ser um político correto.
     Fui ao hospital não tinha médico, fui ao posto de saúde não tinha remédio, fui ao supermercado e não exigi o cupom fiscal. Zero a zero e bola no centro. Soneguei os recursos que a Prefeitura necessita para prestar os serviços que eu necessito. A Prefeitura sonegou os serviços que eu mereceria se tivesse exigido a nota fiscal. Neste caso, não sou melhor do que os corruptos, fui conivente com o desvio de recursos dos cofres públicos.
     Mais uma. Fiz um aumentinho na minha casa, mas não apresentei o projeto na Prefeitura para não pagar taxas e para não aumentar o IPTU. Se já sou um contribuinte corrupto, imagina quando eu for político. Não assinei a carteira do pedreiro e do servente, assim surrupiei recursos da Previdência Social. Mas se houvesse um acidente de trabalho, assinaria a carteira ligeirinho para que a Previdência pagasse. Quem é o corrupto nesta história?
     Se acontecer algum dia de eu vir a ser político e alguém me chamar de político corrupto, vou responder: Sempre fui um cidadão corrupto, contribuinte corrupto representante de uma sociedade corrupta que é conivente com o "por fora", que considera a esperteza como virtude, mesmo que o prejuízo seja de todos, que chama de trouxa os que são corretos. Eu sou apenas resultado disso.
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Esta pérola é do Tim Maia: "Neste país as coisas não dão certo porque aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúmes e pobre é de direita.
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Armazém de Notícias - Edição 257 - Março/2012 - Pág. 3

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Vamos discutir este assunto?

DIÁRIO DE UM EX-EXFUMANTE 

Jorge Trindade

Hoje é meu Dia 1 de ex-fumante. Tá difícil pra caramba. Resolvi criar um blog (www,fumentefede.blogspot.com.br)porque não tenho com quem desabafar. Sei que o cigarro mata e empobrece. Mas faz pouco que constatei que o fumante fede. Já cansei de anunciar a minha chegada pelo fedor. Não é preciso olhar pra trás pra saber quem está chegando. Pela catinga é o Jorge.
 
Ontem sofri mais o efeito físico e psíquico da falta do tabaco. Toda hora saia do PC e ia até o fumador na rua. Deixei lá uma laranja com um furinho. Quando chegava e não achava o maldito, dava uma chupada na laranja. Foram umas 4 laranjas durante o dia, 3 pacotes de amendoim, e umas balinhas. Dá nada, troco o pneumologista pelo dentista.
Hoje parece que a inquietação é mais química. O spyware que a PM Company implantou na minha nuca pede comida a todo o momento. Estou tomando uma cachaça com butiá pra ver se o bicho sossega um pouco.

Mário Quintana disse: "Desconfie dos que não fumam. Estes não têm sentimento, não têm vida interior. O cigarro é uma maneira disfarçada de suspirar". Já estou com saudade e hoje é recém o dia 3. O que me consola é que o Mário Quintana morreu abandonado e tossindo num quarto de hotel de terceira categoria no centro de POA. Nem filhos, nem netos, nem bisnetos, nem leitores. Ninguém quer cuidar de um fumante fedorento. O fumante demora a admitir que fede. Tentei conjugar o verbo feder no presente do indicativo e não deu certo. Só os outros que fedem! Podemos até feder em conjunto. Eu sozinho "não fedo".

Hoje é o Dia 4 sem cigarro e sem recaída até o momento. Achei que só chegaria neste ponto se tivesse ajuda médica. Mas estou conseguindo, "no peito". O pior do tabagismo é a discriminação. Li no blog de uma jornalista que ela tem vontade de dar um tapa na boca de quem fuma. Acho que se ela vê alguém com Mal de Parkinson tem vontade de dar tapas nas mãozinhas do coitado pra ver se elas param de tremer. E se ela vê um rengo deve ter vontade de dar uma rasteira, na perna boa. O Danilo Gentili do CQC explicou como é que se faz com aquele que reclama da fumaça do cigarro. A gente explica que ele é um fumante passivo e descreve como ocorre o processo. Algo sai do sujeito ativo e vai penetrando nas entranhas do passivo, que a princípio não percebe, mas quando quer reagir, não dá mais tempo. É como um "Estupro Gasoso".

Hoje é o quinto dia sem tabaco. O tamagoshi pede comida em horas impróprias e imprevisíveis. Ontem tive que dar dois peguinhas. Não vou considerar uma recaída porque provoquei as adversidades, como fazer churrasco, tomar cerveja e jogar cartas. Hoje vou sair de casa para trabalhar sem levar cigarro ou isqueiro. Claro, que posso comprar em qualquer boteco, mas fazia 35 anos que isso não acontecia. Tenho refletido mais é sobre a discriminação. Quem não fuma não gosta de fumante. O fumante só fuma porque conta com a... depois eu termino este raciocínio.

Complementando o raciocínio de ontem. Vou chamar não-fumantes de sóbrios e fumantes de ébrios. Sóbrios não gostam de ébrios porque ébrios fedem. Mas sóbrios gostam do dinheiro de ébrios, apesar do fedor deles. Em todo o lugar é proibido fumar, no comércio, repartições, ônibus, restaurantes, igreja, etc. Mas muitos vivem do dinheiro do fumo. Para que o fumeiro tenha dinheiro, alguém tem que fumar. Nunca vi um comerciante sóbrio dizer que não quer o dinheiro do fumeiro porque é resultante da produção do fumo. Mas tem nojo do ébrio. Eu, enquanto ébrio, sempre sou cumprimentado na cidade, mas nunca sou convidado para nada, porque ébrios fedem. Com exceção do único amigo que tenho, sóbrio, e que acha que, apesar de meu fedor, tenho algo para contribuir para consolidar esta amizade. Este sempre me convidou, com fedor e tudo. É um amigaço! Ah, tenho outro amigo, este é ébrio e estamos construindo uma amizade. Fedemos juntos.
Na condição de novo sóbrio (ébrio em recuperação), digo que pretendo não feder mais. Mas se agora me convidarem, porque não fedo, não adianta, não vou, por que "a burguesia também fede" (Cazuza).

Missa de 7º dia. Se ninguém lê esse troço, por que continuo a escrever?

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Armazém de Notícias - Edição 259 - Maio/2012 - Pág. 3


BAIXEM OS PREÇOS EM TAPES

Jorge Trindade


     Compre em Tapes. Esta é uma campanha que deveria ser intensificada, porque comprar em Tapes estimula o desenvolvimento do município gerando mais empregos, maior retorno de ICMS aos cofres municipais e o fortalecimento dos estabelecimentos comerciais. Compras feitas em outro município estarão proporcionando estes benefícios lá.
     Mas tem me ocorrido ver esta questão sob outro prisma. Que Tapes é uma cidade pobre, todos concordamos. Mas como tantos enriquecem a custa do consumidor tapense é um mistério sobre o qual vamos refletir.
     Fiz uma pequena reforma em minha casa e comprei o material de construção em Camaquã, o orçamento estava melhor. Meu vizinho construiu sua casa e comprou todo seu material em Sentinela do Sul, Aí ficamos discutindo se era melhor fazer as compras em Sentinela ou em Camaquã. A conversa evoluiu para a alimentação. Disse a ele que eventualmente faço o "rancho" em Camaquã que sempre dá uma boa diferença no preço. Isto tudo representou uma economia bastante significativa em meu orçamento pessoal. Daí comecei a indicar estas alternativas a meus amigos. Veja que as coisas podem tomar proporções que ainda não sabemos se são positivas. Meu vizinho vai seguidamente a Porto Alegre e sempre volta com o porta-malas cheio. No mínimo, tira o valor da gasolina e do pedágio. Deveríamos estar discutindo sobre em que estabelecimento comercial de Tapes era melhor de comprar, e não sobre em que cidade comprar.
     Voltando às minhas reflexões, perguntei-me novamente: O que é melhor para Tapes, que o povo de Tapes tenha dinheiro ou que os empresários de Tapes tenham dinheiro. Quero chegar na questão dos preços praticados aqui, que não são competitivos com os das cidades próximas. Se o povo de Tapes comprar em Tapes, terá menos dinheiro. Então, tchê, o que é melhor para Tapes?
     Assim, como consumidor de Tapes, que quer ver seu dinheiro gerando progresso para o município, deflagro a campanha "Baixem os preços em Tapes". Quem começa?
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Armazém de Notícias - Edição 258 - Abril/2012 - Pág 3




 


O TURISMO PASSA PELA CALÇADA

Jorge Trindade


     Toda vez que vou no Dr. Pedro ele pergunta se estou caminhando. Nem sempre é verdade, mas sempre digo que sim. E nestas caminhadas que faço, observo que cada vez mais e mais pessoas estão realizando esta terapia. As pessoas já têm a hora da caminhada, roupa e calçado da caminhada, e têm parceiros de caminhada. Serão todos pacientes do Dr. Pedro? Conclui que não. É porque é bom para a saúde mesmo. Então, a caminhada já está fazendo parte de nossa rotina.
     Observo, também, que nas caminhadas de fim-de-semana encontro caminhantes diferentes, que não conheço. Provavelmente não são tapenses. Pergunto-me se sendo Tapes uma cidade plana e calma, estaria atraindo turistas para realizarem esse exercício, já que possivelmente em suas cidades de origem não existam condições adequadas pelos aclives e declives, pela poluição do ar e por terem trânsito intenso?
     Agora o problema. Não temos calçadas adequadas para caminhadas. Algumas não são pavimentadas e apresentam-se embarradas ou inundadas no pós-chuva. Materiais de construção são depositados por tempo excessivo, em desacordo com a Lei Municipal. Em alguns locais a vegetação dos pátios invade o passeio público. As árvores não são devidamente aparadas por baixo. Alguns proprietários plantam grama em vez de pavimentar. Só falta colocar uma placa de "não pise na grama".
     Todos estes fatores fazem com que o caminhante a todo o momento vá para a rua disputar espaço com os veículos, tornando esta atividade bastante perigosa, principalmente na Av. Getúlio Vargas, onde a velocidade máxima não é respeitada. Os turistas chamam esta Avenida de "faixinha". Não é sem motivo.
     Mas tem solução. O único vínculo que o proprietário tem com sua calçada é o dever de conservá-la. O papel da Prefeitura é exigir que Leis Municipais sejam cumpridas. Se exigisse dos proprietários a manutenção das calçadas, estaria realizando uma ação em favor do Turismo, sem precisar dispor de verbas públicas para isso.
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A Notícia - Edição 003 - Fevereiro/2012 - Pág. 8


 

TIJOLOS

Jorge Trindade

Meu amigo Milton diz que o leitor sem tempo dispensa textos muito longos. Que o bom é fazer tijolos e depois empilhá-los. Assim, quem escreve estará construindo uma relação mais concreta com o leitor.

VICE - Não entendo porque o Tejada e o Patrício brigaram. Mas bah tchê, acho que o Patrício foi o melhor vice-prefeito da história de Tapes. Não incomodou. Quando o Prefeito viajava chamava ele e dizia: Patrício, meu filho, vou passar uns dias fora, mas vê se não mexe em nada". O Patrício não mexia.

CONCORDÂNCIA - Sobre a publicação do PMDB que circula pela cidade devo dizer que nela achei diversos erros de concordância. O Patrício passou sete anos concordando com tudo. E agora não concorda mais.

INFORMATIVO - Já o Informativo da Prefeitura, este sim, tem erros de toda espécie, dúzias por página, concordância, acentuação, regência, pontuação, colocação de vírgulas, construção textual, etc. Isto que a editoria é importada. Para fazer melhor do que isso, não precisava ir tão longe. A imprensa local faria muito melhor.

VINHOS - O Tejada Cabernet safra 2004 até que foi um vinho bom. Encorpado, buquê floral e levemente ácido. Consumido em excesso causou alguma ressaca. Foi a mistura de uvas. Já a safra 2008 avinagrou. Foram as bactérias. Agora, a vinícola oferece outro vinho, na mesma pipa. Será que já saiu a borra do fundo?

CELESTIAL - Em 88 o candidato celestial ensinava como se fazia um sopão político. Repolho, batata-doce e água, muita água. Dizia que o povo gostava. Saiba, candidato celestial, que desta vez o povo está mais politizado e só vai trocar seu voto se for por alguma coisa mais sólida, no mínimo um carreteiro. Não me venha com bolo de metro e refrigereco.

COLESTEROL - Um amigo meu estava preocupado por que seu colesterol não baixava, e não baixava, e não baixava. Tomou uma atitude. Trocou de Laboratório. Não adiantou. Então vamos parar com esse negócio de achar que é tudo culpa do Garcez!
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A Notícia - Edição 002 - Janeiro/2012 - Pág. 8


Do Balneário ao Centro a pé: Uma aventura

Jorge Trindade


     Quem só anda de carro até não percebe, mas ir do Balneário Rebello ao Centro a pé é uma aventura. Mesmo sendo a Av. Getúlio Vargas uma via asfaltada, em alguns locais simplesmente não existe o passeio público, como próximo à esquina da Rua Independência. Em alguns casos, o morador planta grama em substituição à calçada. Só falta colocar placa de "Não pise na grama". Já entre a Independência e a Travessa Tuiuti, assim como próximo à esquina da Prof. Luiz Vieira material de construção dorme na calçada, obrigando o pedestre a ir para o asfalto disputar espaço com os veículos.
     A Lei 2118 diz que este material de obras só poderá ficar no local o tempo necessário para sua remoção e que a manutenção do passeio público é responsabilidade do proprietário. Ao poder público cabe fiscalizar.
     Próximo à Rua Caramuru, assim como em outros locais, o passeio público fica alagado ou embarrado. E lá vai o pedestre para o meio da rua. São muitos os riscos diários pela alta velocidade dos carros neste local. Visitantes chamam a Av. Getúlio Vargas de "faixinha". Neste e em outros locais da Avenida a Lei Municipal 2118 não está sendo cumprida, já que em vias asfaltadas e com meio-fio, deve haver passeio público pavimentado. Neste local, quando não é água ou o barro que jogam o pedestre para a rua, é a vegetação do terreno que invade a calçada. Entre a João Pessoa e a Assis Brasil ocorre o último risco. O pedestre mais alto tem que se abaixar para não atingir a copa das árvores que não são devidamente aparadas.
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A Notícia - Edição 001 -  dezembro/ 2011 - pág. 5